quarta-feira, 21 de setembro de 2016

"Adapte-se camaleoa."

Amo ver o clipe Photograph do Ed Sheeran, ver a vida documentada em videos caseiros em que mostra seu crescimento e seu paixão pela música. Ás vezes gostaria de ter a vida documentada, até tenho, mas com a escrita e não videos, até mais profundo, mas sincero que videos. Quando se vê a imagem nota-se a mudança física, enquanto a escrita é a exposição da alma, do mais intimo que passa dentro de si. 

Fuçando nos registros do blog me dei conta disso, percebi como a menina que escreveu textos de dois ou três anos atrás é diferente da mulher de hoje. Parece que posso até ouvir o ecoar de um otimismo, sonhos, uma alegria juvenil naquela escrita. Não que tenha ficado velha demais, mas fiquei mais dura. Hoje em dia sou mais sólida. E posso provar isso com a pouca frequência que escrevo aqui, ou no facebook e até mesmo no meu diário que só eu leio. 

Quando falo que fiquei mais sólido, quero ser interpretada da seguinte forma: Antes eu era mais "macia", era mais fácil me fazer dividir algo. Era mais fácil me repartir com outras pessoas, expor meus sonhos, expectativas. E hoje em dia isso passou, pouco falo sobre o que sinto. Se me exponho são com pessoas mais próximas, de uma maneira mais pessoa. Tenho a impressão que hoje em dia sou mais reservada. Sucinta, talvez? Posso afirmar que em alguns momentos sim, principalmente quando se trata das expectativas futuras que carrego. 

Ao mesmo tempo que me percebi sólida, me percebi adaptável. Com uma maré de sentimentos contraditórios que surgiram nos últimos anos, eu me descobri com um dom de adaptação incrível. Em quase todas áreas de minha vida e isso me ajudou a viver os dias que seguiram sem mudanças. As coisas não saíram segundo minha expectativa, mas não posso afirmar que consegui viver de maneira digna na frustração que tentou me afundar. E mais uma vez venho provando desse dom nos últimos meses. E quando surge o desespero que parece me sufocar, penso em uma das minhas frases favoritas:

" Não estou onde quero estar, mas estou sou necessária."

E parece que isso realmente surte efeito. Mas se por o poder de adaptação pode ser visto como um dom, também vejo como uma maldição, já que causa uma acomodação violenta. Preciso lutar todos os dias para de lembrar que é necessário fazer algo por mim mesma. É preciso não desistir, não se entregar. E foi com essa sensação que estou desde o começo da semana, uma sensação quente e persistente de que posso fazer mais por mim e por pessoas ao meu redor. Não posso me entregar a rotina, a viver um dia de cada vez sem pensar, sem esperar, sem acreditar. 

Existe na minha vida dois projetos persistentes que de certo modo caminham juntos e mais uma lista numerosa de coisas que eu poderia fazer, tirar do papel de vez. E qual motivo de não tentar? De não focar novamente no que faz bem para mim e no que acredito que faz mal e preciso mudar? Não é por causa da adaptação que vou viver para sempre acomodada ou convivendo com uma situação que não quero mais. 

Já prometi me comprometer com meus projetos tantas vezes que nem eu acredito mais, mas parece que algo esta diferente dessa vez. Talvez seja uma nova característica surgindo.