domingo, 19 de agosto de 2012

E depois que as luzes se apagam?



        "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." Charles Chaplin.
                  Sempre que leio essa frase sinto uma sensação de que não estou vivendo direito, que posso estar passando meus dias vegetando enquanto um grande relógio bate os minutos da minha vida, que esgotam-se a cada suspiro meu. É como se de repente as luzes fossem de apagar e eu deixa-se para trás coisas por fazer, livros pela metade, filmes que não assisti, recados que não dei, pessoas que não visitei e pessoas que eu amo sem nem a chance da despedida. Li um texto do Pedro Bial que fala justamente sobre isso, que morrer é como sair na melhor parte da festa, sem ter dançado com a menina mais bonita ou ter bebido aquela dose. 
                  Pensar nisso me faz sentir um desespero. É como se em cada momento meu de inercia, eu estivesse perdendo uma grande oportunidade de fazer as coisas acontecerem, pois, eu nunca vou saber se no minuto seguinte eu terei essa chance. Há alguns anos perdi uma amiga e foi de repente. Era como se meu cérebro não processa-se e só consigo pensar até hoje, depois de anos que ela está viajando e que deixou as coisas pela metade por puro descuido e não que as luzes do palco da vida apagaram-se quando ela estava na melhor cena. 
                Acho paranóico ficar pensando na morte. Até por motivos óbvios. Você não vai sentir mais nada depois que tudo acabar. Quem fica é que sente. Sente aquela saudade que não pode matar, sente as palavras que ficam enchendo a boca e o coração e  nunca vai poder colocar para fora, sente a falta que não é suprida. Morrer é ridículo. Você estuda, trabalhar, correr atrás dos objetivos, cuida da mente e do corpo. Usa protetor solar, fio-dental e sem mais nem menos te tiram do palco. Apagam as luzes do espetáculo em que você era a estrela principal. A sua vida! 
               O que me resta é dizer que dessa vida não se leva nada e que você nunca sabe quando as luzes vão se apagar, por isso, sorria, tome sorvete, tira nota baixa (ás vezes.), não se cobre tanto, coma chocolate, sinta o vento, sinta o sol, ouça sua música favorita, leia bons livros e fala aquilo que lhe dá prazer. E quando a cortina fechar, fique tranquilo, terá pessoas para aplaudir e sentir sua falta há pessoas que adoram esse espetáculo que você está encenando. 

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