domingo, 27 de outubro de 2013

Estava chovendo, o céu escuro coberto de nuvens que clareavam a cada novo raio refletia o estado doentio da minha alma, caminhando lentamente pelo gramado não podia deixar de reparar naqueles em que eu acabava pisando. Passei pelos colegas de infância, pelos ex namorados, pelos que sempre me disseram que eu era uma pessoa fraca e acomodada. Cada gota de chuva arrancava um pouco de cor da minha pele ou um pedaço pequeno da Minh 'alma, estava desprotegida e aqueles pingos gelados, pesados pingavam diretamente em mim. A cada lápide que deixava para trás me lembrava dos diálogos com aquelas pessoas, dos momentos em que me senti a ultima pessoa do mundo que merecia ser feliz, cada derrota, cada momento humilhante. A cada passo sentia meu coração bater mais forte, sempre minhas costas mais eretas, sentia que estava deixando tudo aquilo que me faz mal para trás. Por onde eu pisava a grama queimava pela amargura, pelo rancor e tristeza existente dentro de mim porém agora nasciam pequenas flores, agora eu conseguia enxergar meu destino um pouco a frente.
Ao redor de um caixão branco estavam algumas amigas, estavam meus pais, estavam algumas pessoas que eu nem conhecia, pessoas que iram fazer parte do meu futuro. Sobre o caixão estavam flores, cartas, livros, lembranças... Me aproximei um pouco mais para ver quem estava lá dentro, eu já sabia, porém não me custava nada dar uma olhada pela ultima vez.
Dentro do caixão estava eu ou o que tinha sobrado de mim, daquela pessoa amarga, acostumada a derrotas, triste, que sempre achou que merecia menos. Naquele momento estava enterrando a parte de mim que menos gosto, a parte de mim que nunca deveria ter existido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário